Hormônios e medicamentos

Publicado em: Dezembro 16, 2025

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Tempo de leitura: 5 minutos
A apneia obstrutiva do sono é um dos distúrbios respiratórios mais frequentes entre adultos e afeta especialmente pessoas com obesidade. A combinação entre interrupções repetidas da respiração, queda de oxigênio e fragmentação do sono compromete a saúde cardiovascular, o metabolismo e o funcionamento cognitivo.
Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas como ronco, cansaço persistente e dificuldade de concentração, sem entender que esses sinais fazem parte de um quadro clínico consistente.
O tratamento mais recomendado inclui a perda de peso e o uso de um aparelho CPAP, que facilita a respiração. No entanto, o uso nem sempre é feito, uma vez que muitos pacientes não têm acesso à máquina ou não conseguem usá-la adequadamente.
Diante dessas limitações, a busca por alternativas farmacológicas se intensificou nos últimos anos.
Esse cenário mudou quando começaram a surgir evidências de que a tirzepatida, princípio ativo de Mounjaro, poderia reduzir eventos respiratórios noturnos, além de promover perda de peso significativa. Por isso, em dezembro de 2024, o FDA americano aprovou o medicamento para apneia associada à obesidade. Meses depois, em 20 de outubro de 2025, a Anvisa fez o mesmo.
A tirzepatida, ou Mounjaro, combina ação sobre receptores GIP e GLP-1, dois hormônios intestinais que regulam saciedade, metabolismo energético e resposta pós-prandial.
A ativação desses receptores reduz o apetite, lentifica o esvaziamento gástrico e favorece perda de peso mais intensa do que outros tratamentos disponíveis.
Essa perda de peso ajuda a melhorar a saúde como um todo, já que a obesidade aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, apneia do sono e muitos outros distúrbios de saúde.
Os ensaios clínicos que embasaram a aprovação avaliaram adultos com obesidade e apneia moderada ou grave durante um período de 52 semanas. Para avaliar os resultados, os participantes realizaram polissonografias frequentes.
Os participantes foram divididos em dois grupos:
Houveram também grupos placebo, que não usaram o medicamento:
Os resultados mostraram redução importante do problema nos dois grupos que usaram o medicamento. Foram avaliados diferentes fatores, como a diminuição de eventos respiratórios, melhora do quadro geral e redução do peso:
Com relação à perda de peso entre os participantes do estudo:
Outro ponto importante foi a melhora geral da saúde metabólica. As pessoas que usaram tirzepatida tiveram redução de substâncias ligadas à inflamação no organismo, melhor controle do açúcar no sangue e queda discreta da pressão arterial. Esse conjunto de mudanças ajuda a diminuir o risco de problemas cardíacos, que costuma ser mais alto em quem tem apneia do sono.
Mesmo com resultados promissores, Mounjaro para apneia não resolve todos os tipos de obstrução das vias aéreas. Em algumas pessoas, a apneia é causada principalmente por características anatômicas, como amígdalas muito aumentadas, mandíbula pequena ou flacidez importante dos tecidos da garganta.
Nessas situações, a perda de peso ajuda, mas o espaço da via aérea pode continuar estreito, o que reduz o impacto do medicamento.
Também é importante acompanhar possíveis efeitos colaterais, como enjoo, dor abdominal, refluxo e diarreia, são comuns nas primeiras semanas e costumam diminuir com o tempo. Eventos mais raros, como inflamação do pâncreas ou problemas na vesícula, são menos comuns, mas exigem atenção médica.
Outro cuidado necessário é com as expectativas, já que a melhora da apneia tende a ocorrer de forma progressiva e varia entre os pacientes. Ou seja, mesmo com uma melhora importante, algumas pessoas podem continuar precisando do CPAP, embora muitas vezes com ajustes menores de pressão.
Além disso, o uso de Mounjaro para apneia é recomendado apenas para adultos com obesidade e apneia moderada ou grave, diagnóstico que deve ser confirmado por avaliação médica e polissonografia.
Sim. Estudos mostraram redução significativa dos eventos de apneia e redução de peso em adultos com obesidade. O efeito está ligado principalmente à perda de peso e à diminuição da gordura que estreita as vias aéreas durante o sono.
O uso é indicado para adultos com obesidade e apneia moderada ou grave, confirmada por polissonografia. A avaliação médica é essencial para verificar segurança, contraindicações e necessidade de combinar o tratamento com outras abordagens.
Não. Muitos pacientes continuam precisando do CPAP, mas podem necessitar de pressões menores após perder peso. O medicamento funciona como complemento para reduzir a gravidade da apneia e melhorar a resposta aos tratamentos já estabelecidos.
Cada conteúdo clínico publicado no Health Lab passa por um rigoroso processo de revisão realizado por nossa rede de profissionais de saúde para garantir precisão e confiabilidade.
Seguimos diretrizes rigorosas de fontes, sempre citando ou vinculando diretamente às fontes primárias em cada artigo.
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Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional.
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