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    Nutrição

    Gordura trans: o que é e por que você precisa evitá-la

    Biscoitos recheados e wafers, alimentos que podem conter gordura trans industrial.
    Gordura trans: o que é e por que você precisa evitá-la

    Escrito por Marcela Gottschald

    Publicado em: Fevereiro 12, 2026

    Gordura trans: o que é e por que você precisa evitá-la

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    Tempo de leitura: 6 minutos

    Introdução

    Entre os diversos temas da nutrição, poucos despertam tanto consenso quanto os riscos da gordura trans. Médicos e nutricionistas concordam que esse tipo de gordura não traz benefícios à saúde e está associado a doenças cardiovasculares e metabólicas. 

    Ainda assim, ela pode estar presente na alimentação cotidiana de forma discreta e pouco percebida.

    Entender o que são as gorduras trans, onde elas aparecem e por que devem ser evitadas é um passo importante para fazer escolhas alimentares mais seguras. Por isso, a equipe Healthlab decidiu elaborar o artigo a seguir, com evidências atualizadas e robustas.

    O que é a gordura trans, afinal?

    Gordura trans é um tipo específico de gordura formado, em sua maioria, por um processo industrial chamado hidrogenação

    Nesse processo, o hidrogênio é adicionado a óleos vegetais líquidos, fazendo com que se tornem sólidos ou semissólidos à temperatura ambiente.

    É importante diferenciar duas origens distintas da gordura trans:

    • Gordura trans natural: encontrada em pequenas quantidades na carne e no leite de animais ruminantes, como vacas e ovelhas
    • Gordura trans industrial: produzida artificialmente pela indústria alimentícia, também conhecida como gordura vegetal hidrogenada ou óleo vegetal parcialmente hidrogenado

    A gordura trans industrial é muito utilizada por ser barata, melhorar a textura dos alimentos, aumentar a crocância e prolongar o prazo de validade. Com o tempo, porém, ficou claro que esses benefícios tecnológicos vinham acompanhados de sérios prejuízos à saúde.

    Por que elas são tão prejudiciais ao corpo?

    O principal impacto da gordura trans ocorre no metabolismo do colesterol. Ela age de forma dupla e desfavorável: eleva os níveis do colesterol LDL, que se deposita nas artérias, e reduz o colesterol HDL, responsável por remover esse excesso da circulação.

    Esse desequilíbrio favorece o desenvolvimento de aterosclerose, aumentando de forma significativa o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC)

    Além disso, a gordura trans está associada ao aumento de inflamação no organismo e da resistência à insulina, um fator importante no desenvolvimento do diabetes tipo 2.

    Ou seja, o problema não se limita ao coração. O efeito é sistêmico e cumulativo.

    Onde a gordura trans ainda aparece?

    Apesar das restrições legais, a gordura trans industrial não desapareceu completamente. A principal forma de identificá-la é por meio da lista de ingredientes, e não apenas pela tabela nutricional.

    Termos como “gordura vegetal hidrogenada” ou “óleo vegetal hidrogenado” indicam a presença de gordura trans, mesmo quando o rótulo informa “0 g de gordura trans”.

    Ela é mais comum em produtos ultraprocessados, especialmente:

    • Margarinas em tabletes e cremes vegetais mais consistentes
    • Biscoitos recheados e wafers
    • Bolos prontos, tortas industrializadas e pães doces embalados
    • Salgadinhos de pacote e pipoca de micro-ondas
    • Sorvetes de massa de baixo custo

    Ilustração de artéria obstruída por placas de gordura associadas ao consumo de gordura trans.

    Como reduzir o consumo no dia a dia?

    A estratégia mais eficaz é simples, embora exija atenção: diminuir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados.

    Na cozinha, vale dar preferência a gorduras mais estáveis e conhecidas, como o azeite de oliva em preparações de baixa temperatura. Mais importante do que substituir uma gordura por outra é reduzir a dependência de produtos industrializados prontos.

    Ao comprar alimentos embalados, duas orientações ajudam bastante:

    • Desconfie de alegações isoladas como “zero gordura trans” e sempre leia a lista de ingredientes
    • Evite produtos que tragam qualquer forma de gordura hidrogenada, mesmo que apareça em pequenas quantidades

    Um cuidado simples com impacto duradouro

    Eliminar a gordura trans industrial da alimentação é uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde cardiovascular ao longo do tempo. Não se trata de tendência ou modismo, mas de uma recomendação baseada em décadas de estudos científicos.

    Criar o hábito de ler rótulos e reduzir ultraprocessados pode parecer um detalhe irrelevante, mas faz diferença real. A saúde não se constrói em decisões isoladas, e evitar a gordura trans é um passo concreto nessa direção.

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre gordura trans natural e industrial?

    A gordura trans natural está presente em pequenas quantidades em carnes e laticínios e tem impacto limitado. A preocupação em saúde pública está concentrada na gordura trans industrial, criada artificialmente e associada a maior risco cardiovascular.

    Existe uma quantidade segura de gordura trans?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ingestão de gordura trans industrial seja inferior a 1% das calorias diárias. Na prática, a orientação mais segura é evitar ao máximo esse tipo de gordura.

    A gordura trans engorda mais do que outras gorduras?

    Em termos calóricos, não. Todas as gorduras fornecem cerca de 9 calorias por grama. O problema da gordura trans está na sua relação com inflamação, resistência à insulina e maior acúmulo de gordura visceral, o que pode dificultar o controle do peso a longo prazo.

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    Nosso Processo de Revisão Clínica:

    Cada conteúdo clínico publicado no Health Lab passa por um rigoroso processo de revisão realizado por nossa rede de profissionais de saúde para garantir precisão e confiabilidade.

    Seguimos diretrizes rigorosas de fontes, sempre citando ou vinculando diretamente às fontes primárias em cada artigo.

    Caso queira saber como o processo ocorre na integra, acesse aqui.

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