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    Condições de saúde

    Febre reumática: sintomas, causas e prevenção

    Modelo anatômico do coração humano usado para explicar complicações da febre reumática.
    Febre reumática: sintomas, causas e prevenção

    Escrito por Marcela Gottschald

    Publicado em: Setembro 14, 2025

    Febre reumática: sintomas, causas e prevenção

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    Tempo de leitura: 6 minutos

    Introdução

    A febre reumática é uma condição que, apesar de ser menos comentada hoje em dia, ainda preocupa médicos e famílias. Ela costuma aparecer como uma complicação de uma infecção de garganta causada por bactérias, principalmente em crianças e adolescentes.

    O problema é que, quando não tratada de forma adequada, essa doença pode deixar sequelas graves, afetando o coração, as articulações e até o sistema nervoso. 

    Por isso, entender como ela surge, quais sinais observar e como preveni-la é fundamental para proteger a saúde.

    Ao longo deste texto, você vai entender de forma simples e clara o que é a febre reumática, como identificá-la e quais cuidados ajudam a evitar complicações.

    O que é febre reumática?

    A febre reumática é uma reação inflamatória autoimune que acontece depois de uma infecção de garganta causada por bactérias Streptococcus, conhecidas como estreptococo do grupo A. 

    Quando a faringite ou a amigdalite causadas por este grupo de bacterias não são tratadas corretamente, o sistema imunológico pode reagir de forma exagerada e atacar, além da bactéria, o próprio corpo.

    Esse ataque “equivocado” gera inflamações em diferentes partes do organismo. As áreas mais afetadas costumam ser:

    • Articulações, principalmente joelhos, tornozelos, cotovelos e punhos
    • Coração, em especial válvulas cardíacas
    • Sistema nervoso central
    • Pele

    A doença é mais comum entre 5 e 15 anos, mas também pode atingir também adultos.

    Como a febre reumática se desenvolve?

    O processo geralmente começa com uma infecção de garganta mal tratada. A criança apresenta dor, febre, dificuldade para engolir e, muitas vezes, placas de pus nas amígdalas. 

    Se o uso do antibiótico não é feito corretamente, seja por falta de diagnóstico ou por abandono do tratamento, aumenta o risco de complicações.

    Cerca de 2 a 3 semanas após a infecção, podem surgir os primeiros sinais da febre reumática. É como se o organismo “confundisse” estruturas próprias com a bactéria, gerando inflamações em tecidos saudáveis.

    Sintomas da febre reumática

    Os sintomas podem variar bastante, mas os mais comuns incluem:

    • Febre persistente
    • Dores e inchaço nas articulações, que podem migrar de uma para outra
    • Cansaço extremo
    • Nódulos sob a pele (pequenos caroços dolorosos)
    • Manchas avermelhadas na pele
    • Movimentos involuntários e descoordenados (chamados de coreia de Sydenham)
    • Dor no peito e falta de ar, quando o coração é afetado

    É importante destacar que os sintomas não aparecem todos de uma vez. Em alguns casos, a doença pode se manifestar de forma mais discreta, o que dificulta o diagnóstico precoce.

    Profissional de saúde preparando seringa para tratamento da febre reumática.

    Complicações da febre reumática

    A principal preocupação em relação à febre reumática é a cardite reumática, uma inflamação que compromete as válvulas cardíacas. Essa lesão pode deixar sequelas permanentes, conhecidas como doença cardíaca reumática.

    Entre as complicações possíveis estão:

    • Insuficiência cardíaca
    • Arritmias
    • Estreitamento ou insuficiência das válvulas
    • Necessidade de cirurgia cardíaca ou até transplante

    Essas sequelas podem acompanhar a pessoa pelo resto da vida, impactando diretamente na qualidade de vida.

    Quem corre mais risco?

    De forma geral, crianças e adolescentes possuem maior risco de desenvolver tanto a febre quanto as complicações,

    Além disso, a febre reumática está mais associada a condições socioeconômicas desfavoráveis, em que o acesso a cuidados de saúde e ao tratamento adequado é limitado. 

    Ou seja, moradias com muitas pessoas (aumento do risco de infecções), dificuldade de acesso a antibióticos e falta de acompanhamento médico aumentam as chances de evolução da doença.

    Diagnóstico da febre reumática

    Não existe um exame único que confirme a febre reumática. O diagnóstico é feito a partir de uma avaliação clínica detalhada, que considera histórico de infecção de garganta e os sintomas apresentados.

    Entre os exames solicitados pelo médico, estão:

    • Exames de sangue para identificar sinais de inflamação e anticorpos contra a bactéria
    • Eletrocardiograma e ecocardiograma para avaliar o coração
    • Exame físico das articulações e da pele

    O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves.

    Tratamento da febre reumática

    O tratamento tem dois objetivos principais: eliminar a bactéria e controlar a inflamação.

    • Antibióticos: geralmente a penicilina é o medicamento de escolha para eliminar o estreptococo.
    • Anti-inflamatórios: ajudam a aliviar dor, febre e inchaço nas articulações.
    • Repouso: recomendado em casos de comprometimento cardíaco.

    Após o diagnóstico de febre reumática, o médico pode indicar doses regulares de antibióticos por vários anos, como forma de prevenir novos surtos.

    Esse tratamento se chama profilaxia secundária e tem como objetivo evitar novas aparições do problema e complicações, especialmente cardiológicas.

    A profilaxia é realizada com a aplicação de penicilina benzatina (conhecida como benzetacil) a cada três semanas, e a duração do tratamento depende do quadro clínico:

    • Quando o problema não afetou o coração: até os 21 anos ou por no mínimo 5 anos caso seja um adolescente
    • Quando o paciente apresentou inflamação ou outro comprometimento cardíaco: até os 25 anos ou por toda a vida, dependendo da gravidade do caso

    Como prevenir a febre reumática?

    A prevenção é simples e está diretamente ligada ao tratamento correto das infecções de garganta. Alguns cuidados importantes:

    • Buscar atendimento médico diante de dor de garganta com febre
    • Evitar a automedicação, ou seja, não usar antibióticos por conta própria
    • Cumprir todo o tempo de tratamento indicado pelo médico
    • Manter bons hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência
    • Cuidar do ambiente doméstico, evitando aglomerações e locais mal ventilados

    Quando a faringite estreptocócica é tratada adequadamente, o risco de febre reumática praticamente desaparece.

    Convivendo com a doença

    Quem já desenvolveu febre reumática precisa de acompanhamento médico a longo prazo. 

    Em alguns casos, é necessário usar antibióticos profiláticos por anos, para evitar novas crises. Consultas periódicas com cardiologista e exames de rotina ajudam a monitorar possíveis sequelas.

    Perguntas frequentes

    A febre reumática pode deixar sequelas?

    Sim. A complicação mais grave é a cardite reumática, que pode causar lesões permanentes nas válvulas cardíacas, levando a insuficiência cardíaca, arritmias e até necessidade de cirurgia. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável.

    A febre reumática pode deixar sequelas?

    Sim. A complicação mais grave é a cardite reumática, que pode causar lesões permanentes nas válvulas cardíacas, levando a insuficiência cardíaca, arritmias e até necessidade de cirurgia. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável.

    Como prevenir a febre reumática?

    A prevenção está no diagnóstico e tratamento adequados da faringite estreptocócica. Isso inclui buscar atendimento médico diante de dor de garganta com febre, usar antibióticos apenas sob prescrição e seguir corretamente todo o tempo de tratamento indicado.

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    Cada conteúdo clínico publicado no Health Lab passa por um rigoroso processo de revisão realizado por nossa rede de profissionais de saúde para garantir precisão e confiabilidade.

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    Caso queira saber como o processo ocorre na integra, acesse aqui.

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