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Nutrição
- Evidence based
Ômega-3 DHA e EPA: o que são, para que servem e quais as diferenças
- DESTAQUES DO AUTOR
- O ômega-3 é uma gordura essencial que precisa ser obtida pela alimentação ou suplementação.
- Ômega-3 DHA e EPA têm funções diferentes no organismo, atuando de forma complementar na saúde.
- Os principais benefícios estão ligados ao coração, ao cérebro e ao controle da inflamação.

Escrito por Marcela Gottschald
Publicado em: Janeiro 14, 2026

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Tempo de leitura: 7 minutos
Introdução
O ômega-3 é um tipo de gordura frequentemente associado à saúde do coração, do cérebro e ao controle da inflamação no corpo.
Mas, apesar de ser bastante citado em consultas médicas, reportagens e rótulos de suplementos, ainda há muita confusão sobre sua natureza e seu modo de ação no organismo.
Parte dessa confusão ocorre porque o termo ômega-3 não se refere a uma única substância. Na prática, ele representa uma família de ácidos graxos essenciais, dos quais se destacam o DHA e o EPA, dois compostos que exercem funções diferentes e complementares no corpo humano.
Pensando nisso, a Healthlab elaborou este artigo, para ajudar no entendimento do que são o DHA e o EPA, como agem no corpo e em que situações cada um ganha mais importância
O que é o ômega-3?
O ômega-3 é um tipo de gordura poli-insaturada considerada essencial, pois o corpo humano não consegue produzi-la em quantidade suficiente. Por esse motivo, deve ser obtido por meio da alimentação ou da suplementação de forma regular.
Existem três tipos principais de ômega-3 que aparecem com mais frequência nas discussões sobre saúde. São eles: o ALA, o EPA e o DHA.
- O ALA está presente principalmente em alimentos de origem vegetal, como linhaça, chia e nozes
- Já o EPA e o DHA são encontrados em maior quantidade em peixes gordurosos e frutos do mar
Embora o organismo consiga converter uma pequena parte do ALA em EPA e DHA, essa conversão é limitada e pouco eficiente.
Por isso, quando o objetivo é obter benefícios relacionados à função cerebral, cardiovascular ou ao controle da inflamação, o foco costuma estar no consumo direto de EPA e DHA.
O que é o EPA?
O EPA (ácido eicosapentaenoico) é um dos principais componentes do ômega-3 de origem marinha. Ele atua principalmente em processos relacionados à inflamação, à circulação sanguínea e à saúde cardiovascular de maneira geral.
Uma de suas funções mais importantes é a produção de substâncias chamadas eicosanoides, que ajudam a regular respostas inflamatórias no organismo. No entanto, isso não significa eliminar completamente a inflamação, uma vez que ela é um mecanismo natural e necessário. O que o EPA faz é evitar que o processo inflamatório se torne excessivo ou crônico.
Por essa razão, o EPA é associado a diversos benefícios, como a melhora de marcadores inflamatórios, contribuindo para à saúde do coração.
Além disso, alguns estudos mostram que a substância também ajuda no equilíbrio do humor, especialmente em contextos nos quais a inflamação tem um papel relevante.
O que é o DHA?
O DHA (ácido docosa-hexaenoico) tem uma estrutura diferente do EPA e desempenha funções mais ligadas à composição física das células. Ele é um componente essencial das membranas celulares, principalmente no cérebro, nos olhos e no sistema nervoso.
Grande parte da massa cerebral é formada por gordura, e o DHA representa uma parcela significativa dessa composição. Por isso, é considerado essencial para o desenvolvimento neurológico, a manutenção das funções cognitivas e a saúde da visão ao longo da vida.
Além disso, o DHA contribui para a fluidez das membranas celulares, influenciando a comunicação entre as células e o funcionamento adequado dos tecidos. Esse papel estrutural torna o DHA particularmente importante em fases como gestação, infância e envelhecimento.
Diferenças entre Ômega-3 DHA e EPA
Apesar de fazerem parte da mesma família, DHA e EPA não são iguais e não atuam da mesma forma no organismo. A principal diferença entre eles está no tipo de função que cada um exerce.
O EPA atua de maneira mais funcional e regulatória, participando ativamente do controle da inflamação, da coagulação e de processos relacionados à saúde cardiovascular. Já o DHA tem uma função mais estrutural, sendo essencial para a integridade das células, principalmente no cérebro e na retina.
Outra diferença importante está na distribuição desses ácidos graxos pelo corpo. Enquanto o EPA circula principalmente no sangue e nos tecidos envolvidos em respostas inflamatórias, o DHA se concentra principalmente no sistema nervoso central e nos olhos.
Por esse motivo, diferentes formulações de suplementos podem ter proporções variadas de DHA e EPA, dependendo do objetivo pretendido, embora o consumo combinado dos dois ácidos graxos seja o mais indicado na maioria das situações.
Fontes alimentares de DHA e EPA
As principais fontes naturais de DHA e EPA são peixes gordurosos de águas frias, como sardinha, salmão, anchova e cavala. Esses peixes acumulam ômega-3 ao longo da cadeia alimentar marinha, principalmente a partir de algas.
Mariscos e ostras também podem contribuir com pequenas quantidades desses ácidos graxos. Já os alimentos de origem vegetal não fornecem DHA e EPA diretamente, apenas o ALA, que, como mencionado, tem conversão limitada no organismo.
Para pessoas que consomem pouco peixe ou seguem dietas vegetarianas ou veganas, a suplementação de ômega-3 de origem marinha ou de algas pode ser uma alternativa, mas sempre com orientação profissional e avaliação individual.
Ômega-3 e saúde do coração
O interesse pelo ômega-3 na prevenção e no cuidado da saúde cardiovascular está relacionado principalmente à ação do EPA. Esse ácido graxo ajuda a reduzir os níveis elevados de triglicerídeos, contribui para a melhora da função dos vasos sanguíneos e pode auxiliar no equilíbrio da pressão arterial.
Além disso, o EPA participa da modulação da inflamação vascular, fator importante no desenvolvimento de doenças cardíacas. Assim, o consumo regular de DHA e EPA, dentro de um padrão alimentar equilibrado, está associado a um menor risco de eventos cardiovasculares.
É importante ressaltar que o ômega-3 não age de forma isolada. Seus benefícios são mais consistentes quando fazem parte de um conjunto de hábitos saudáveis, que incluem:
- Alimentação adequada
- Atividade física regular
- Controle de fatores de risco, como o tabagismo
Ômega-3 e cérebro
O DHA desempenha um papel central na saúde cerebral ao longo de toda a vida. Ele participa da formação das sinapses, da transmissão de sinais entre os neurônios e da manutenção da estrutura das células nervosas.
Desta forma, durante a gestação e a infância, ele é especialmente importante para o desenvolvimento cognitivo e visual. Em adultos, sua presença adequada está associada à manutenção da memória, da atenção e de outras funções cognitivas.
Com o envelhecimento, níveis adequados de DHA podem contribuir para a preservação da função cerebral, mas ele não deve ser visto como solução isolada para problemas neurológicos ou cognitivos.
Suplementação de ômega-3: quando é necessária?
A suplementação de ômega-3 é recomendada quando a ingestão de peixes por meio da alimentação é insuficiente ou quando há uma necessidade específica, avaliada por um profissional de saúde.
Algumas indicações são:
- Doenças cardiovasculares, como triglicerídeos elevados, risco aumentado de infarto e alterações na circulação sanguínea
- Processos inflamatórios crônicos, presentes em condições como artrite, dores articulares persistentes e inflamações musculares recorrentes
- Alterações cognitivas e de memória, incluindo dificuldades de concentração e declínio cognitivo associado ao envelhecimento
- Transtornos de humor, como depressão leve a moderada, especialmente quando há componente inflamatório envolvido
- Problemas de saúde ocular, como ressecamento dos olhos e maior risco de alterações na retina
- Gestação e desenvolvimento fetal, quando há risco de ingestão insuficiente de nutrientes importantes para o desenvolvimento neurológico do bebê
Como podemos ver, o uso é principalmente na prevenção de problemas causados pela deficiência nutricional, ou como tratamento auxiliar.
Além disso, é importante observar a composição do suplemento e verificar a quantidade de DHA e EPA por cápsula, e não apenas o valor total de óleo de peixe. Também é fundamental respeitar as doses adequadas e evitar o uso indiscriminado.
Mais nem sempre significa melhor quando se trata de suplementação. O excesso pode não trazer benefícios adicionais e, em alguns casos, causar efeitos indesejados, especialmente em pessoas que fazem uso de medicamentos ou têm condições específicas.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre DHA e EPA?
O EPA atua principalmente na regulação de processos inflamatórios e na proteção cardiovascular. Já o DHA tem função estrutural, sendo fundamental para o funcionamento do cérebro, da visão e do sistema nervoso ao longo da vida.
Ômega-3 pode ajudar em problemas cardiovasculares?
Sim. O consumo adequado de ômega-3, especialmente do EPA, pode auxiliar na redução de triglicerídeos, na melhora da circulação e na proteção dos vasos sanguíneos, sempre como parte de um estilo de vida saudável.
Quem pode se beneficiar da suplementação de ômega-3?
Pessoas que consomem pouco peixe, têm triglicerídeos elevados ou apresentam condições associadas à inflamação podem se beneficiar da suplementação, desde que haja orientação de um profissional de saúde.
Processo de revisão deste artigo:
Nosso Processo de Revisão Clínica:
Cada conteúdo clínico publicado no Health Lab passa por um rigoroso processo de revisão realizado por nossa rede de profissionais de saúde para garantir precisão e confiabilidade.
Seguimos diretrizes rigorosas de fontes, sempre citando ou vinculando diretamente às fontes primárias em cada artigo.
Caso queira saber como o processo ocorre na integra, acesse aqui.
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- 09/01/2026
- Escrito Por: Marcela Gottschald
- 14/01/2026
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