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    Condições de saúde

    Arritmias cardíacas: o que são, sintomas, causas e quando se preocupar

    Ilustração anatômica do coração com traçado de eletrocardiograma ao fundo relacionada às arritmias.
    Arritmias cardíacas: o que são, sintomas, causas e quando se preocupar

    Escrito por Marcela Gottschald

    Publicado em: Março 02, 2026

    Arritmias cardíacas: o que são, sintomas, causas e quando se preocupar

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    Tempo de leitura: 6 minutos

    Introdução

    As arritmias cardíacas são alterações no ritmo normal dos batimentos do coração, podendo torná-los mais rápidos, mais lentos ou irregulares. 

    Embora muitas arritmias sejam benignas e não representem risco imediato, outras podem comprometer a circulação sanguínea e aumentar o risco de complicações graves, especialmente quando associadas a doenças cardíacas estruturais.

    O coração funciona como uma bomba elétrica e muscular altamente coordenada, e para que o sangue seja distribuído adequadamente pelo corpo é necessário que os impulsos elétricos que controlam as contrações ocorram em sequência organizada. 

    Quando há falhas nesse sistema de condução elétrica, surgem as arritmias, que podem variar amplamente em intensidade e impacto clínico.

    O que são arritmias cardíacas?

    Em condições normais, o ritmo cardíaco é controlado pelo nó sinoatrial, localizado no átrio direito, que gera impulsos elétricos de forma regular e previsível. Esses impulsos percorrem um trajeto específico até estimular os ventrículos, promovendo a contração coordenada das câmaras cardíacas e garantindo fluxo sanguíneo eficiente.

    As arritmias ocorrem quando há alteração na geração ou na condução desses impulsos elétricos, o que pode resultar em diferentes padrões de ritmo:

    • Taquicardia, quando o coração bate mais rápido do que o esperado para a situação
    • Bradicardia, quando os batimentos são mais lentos do que o normal
    • Ritmo irregular, quando não há padrão estável entre os batimentos

    Nem toda arritmia provoca sintomas perceptíveis, e muitas são identificadas apenas em exames de rotina. 

    Ainda assim, determinadas alterações podem interferir de forma significativa na capacidade do coração de bombear sangue adequadamente.

    Principais tipos de arritmias

    As arritmias podem ser classificadas de acordo com a região do coração onde se originam e pela frequência dos batimentos. Essa distinção é importante porque influencia tanto o risco associado quanto a escolha do tratamento.

    Entre as mais comuns estão:

    • Fibrilação atrial, caracterizada por atividade elétrica desorganizada nos átrios
    • Taquicardia supraventricular, que se origina acima dos ventrículos
    • Taquicardia ventricular, que surge nos ventrículos e pode ser potencialmente grave
    • Bloqueios atrioventriculares, que dificultam a condução do impulso elétrico entre átrios e ventrículos

    A fibrilação atrial é uma das arritmias mais frequentes na população adulta e está associada a maior risco de formação de coágulos e acidente vascular cerebral, principalmente quando não há controle adequado da frequência cardíaca ou uso de anticoagulação quando indicada.

    Sintomas das arritmias

    Os sintomas variam de acordo com o tipo, a intensidade e a duração da arritmia, além das condições clínicas individuais. 

    Algumas pessoas permanecem assintomáticas por longos períodos, enquanto outras percebem alterações claras no ritmo cardíaco mesmo em episódios breves.

    Entre os sintomas mais relatados estão:

    • Palpitações, com sensação de batimentos acelerados, fortes ou irregulares
    • Tontura ou sensação iminente de desmaio
    • Falta de ar, especialmente durante esforços
    • Dor ou desconforto no peito
    • Fadiga desproporcional às atividades realizadas

    Em situações mais graves, particularmente nas arritmias ventriculares, pode ocorrer perda súbita de consciência ou parada cardíaca, quadro que exige atendimento emergencial imediato.

    Cartela de comprimidos sobre eletrocardiograma representando tratamento medicamentoso para arritmias.

    Causas e fatores de risco

    As arritmias podem surgir em pessoas sem doença cardíaca estrutural evidente, mas são mais frequentes em indivíduos com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, cardiomiopatias ou alterações valvares. 

    Além disso, diversos fatores clínicos e comportamentais aumentam o risco de distúrbios do ritmo.

    Entre eles estão:

    O estresse intenso, a privação de sono e o uso inadequado de determinados medicamentos também podem atuar como desencadeadores em pessoas predispostas.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico das arritmias geralmente começa com a avaliação clínica detalhada e o relato cuidadoso dos sintomas, seguido de exames que registram a atividade elétrica do coração. 

    O eletrocardiograma é o exame inicial mais utilizado, pois capta em poucos segundos o padrão dos impulsos elétricos em repouso.

    No entanto, como muitas arritmias são intermitentes, exames complementares podem ser necessários para aumentar a chance de identificar alterações que não aparecem em um registro pontual.

    Entre os principais métodos estão:

    • Holter de 24 horas, que registra continuamente a atividade elétrica do coração durante um dia inteiro para detectar arritmias que não surgem no eletrocardiograma convencional
    • Monitor de eventos, dispositivo portátil utilizado por períodos mais prolongados que grava o ritmo cardíaco e pode detectar sintomas que ocorrem mais esporadicamente
    • Teste ergométrico, exame realizado durante esforço físico controlado para avaliar como o coração responde ao exercício e identificar possíveis arritmias desencadeadas pela atividade física
    • Estudo eletrofisiológico em casos selecionados, procedimento invasivo no qual cateteres são introduzidos no coração para mapear detalhadamente a atividade elétrica e localizar com precisão a origem da arritmia

    A escolha do exame depende da frequência dos sintomas, do risco estimado e da suspeita clínica inicial.

    Tratamento das arritmias

    O tratamento das arritmias depende do tipo específico, da intensidade dos sintomas e do risco de complicações associadas. Nem todas exigem intervenção imediata, especialmente quando são benignas e não provocam repercussão hemodinâmica.

    As estratégias terapêuticas podem incluir:

    • Medicamentos antiarrítmicos para controle do ritmo
    • Anticoagulantes, especialmente na fibrilação atrial com risco aumentado de tromboembolismo
    • Ablação por cateter para eliminar focos elétricos anormais
    • Implante de marca passo em casos de bradicardia significativa
    • Cardioversor desfibrilador implantável para prevenção de morte súbita em pacientes de alto risco

    A decisão terapêutica deve ser individualizada e baseada em avaliação cardiológica completa, considerando benefícios, riscos e perfil clínico do paciente.

    Perguntas frequentes

    Arritmias sempre são perigosas?

    Não, muitas arritmias são benignas e não oferecem risco significativo, embora algumas possam ser graves e exijam acompanhamento médico.

    Palpitação significa arritmia?

    Nem toda palpitação corresponde a uma arritmia clinicamente relevante, mas episódios frequentes ou associados à tontura e desmaio devem ser investigados.

    Arritmias têm cura?

    Depende. Algumas arritmias podem ser controladas ou resolvidas com procedimentos como ablação, enquanto outras exigem acompanhamento contínuo.

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    Cada conteúdo clínico publicado no Health Lab passa por um rigoroso processo de revisão realizado por nossa rede de profissionais de saúde para garantir precisão e confiabilidade.

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